Paraná estabiliza perda de mata nativa e avança em gestão ambiental, diz Ipardes

“A estabilização da perda vegetal é reflexo dos investimentos que o Estado vem fazendo na recuperação e conservação destas áreas”, observou Ana Claudia Muller, pesquisadora do Ipardes
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27/05/2010 - 18:30
Editoria
Os indicadores de sustentabilidade ambiental por bacias hidrográficas apresentados pelo Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) nesta quinta-feira (27) mostram que o Paraná possui 12% de seu território com cobertura vegetal nativa, com perda de 0,6% nos últimos três anos, o que é considerado estável. De 1980 para 2008, a perda foi de 3,5%. O índice mínimo de cobertura vegetal para se garantir a sobrevivência da biodiversidade é de 10%.
“A estabilização da perda vegetal é reflexo dos investimentos que o Estado vem fazendo na recuperação e conservação destas áreas”, observou Ana Claudia Muller, pesquisadora do Ipardes. Para ela, uma das prioridades em gestão ambiental deve ser a recomposição das matas nativas, principalmente nas regiões Norte e Noroeste do estado, que possuem as áreas mais devastadas.
Outro bom indicador apresentado pelo estudo é que 274 municípios, que correspondem a quase 70% do total do estado, já possuem instrumentos de gestão ambiental, como conselhos, consórcios intermunicipais e comitês de bacias hidrográficas.
AGROTÓXICO - Um dado inédito e muito importante que o estudo trouxe foi em relação ao uso de agrotóxicos, já que o Paraná possui 80% de seu território ocupado pela produção agropecuária. O Paraná utiliza 12 quilos de agrotóxico por hectare ao ano, enquanto a média brasileira de consumo é de 4 quilos/ha/ano.
Os agrotóxicos utilizados no estado são considerados “muito perigosos” e “perigosos”, numa classificação que vai de “pouco” a “altamente perigoso”. Destes agrotóxicos, 60% são herbicidas. As regiões que mais consomem são a de Cascavel (23kg/ha/ano), Londrina (21 kg/ha/ano) e Ponta Grossa (20 kg/ha/ano). Nestas regiões, há também o uso de agrotóxico com o máximo nível de periculosidade.
ÁGUA – O Paraná utiliza 2,6% de seu potencial hídrico superficial (aquele que não está no subterrâneo). O maior consumo está concentrado na bacia do Alto Iguaçu, na Região Metropolitana de Curitiba, onde o maior gasto de água ocorre no abastecimento público. Já na bacia do Alto Tibagi (região de Ponta Grossa), o maior consumo é na indústria, principalmente na de papel, e celulose e bebidas. Na bacia do Baixo Iguaçu, a maior demanda é na pecuária.
“O Paraná, assim como o Brasil, apresenta um bom potencial hídrico superficial. Na Espanha, por exemplo, 60% da utilização das águas vem do subterrâneo, pois esgotaram-se todas as possibilidades de exploração na superfície, responsável pelos 40% restantes”, indicou Ana Claudia.
TRANSPORTE – No Paraná, a taxa de veículos particulares para cada mil habitantes é de 90% e 10% é de transporte coletivo. São 3,88 ônibus para cada mil habitantes e 37 veículos particulares para cada mil. “Para um país em desenvolvimento, ainda é uma taxa muito elevada de veículos particulares em detrimento aos coletivos quando comparamos aos índices de países mais desenvolvidos, como os da União Européia”, analisou Ana Claudia.