Participantes das mesas do seminário Crise - Desafios e Soluções na América do Sul enfatizaram nesta sexta-feira (27), no encerramento do evento, a necessidade de um projeto de integração entre os países da América Latina. De acordo com os palestrantes a união de lideranças é essencial para o enfrentamento da crise. “A união de lideranças e a cooperação entre os países é um requisito importante. Se a América Latina não entender que precisa desta coesão, de uma cooperação maior, nós vamos mal”, argumentou o economista e professor da Unicamp, Wilson Cano.
Segundo a gerente de Acordos Internacionais do Banco Central da Argentina, Cristina Pasin, a história mostra que a união entre nações gera soluções para dificuldades econômicas, políticas e sociais. “Lamentavelmente quando a crise acaba, todos voltam às suas vidas e os esforços de integração são perdidos. Espero que com esta crise, de que ainda não vimos a verdadeira dimensão, a integração continue”, ponderou.
“A crise afeta diretamente a geração de empregos, porque os países não vendem, têm problemas de financiamento. São necessárias medidas na coordenação de medidas macroeconômicas que levem em conta os mecanismos que já existem e a criação de novos mecanismos, como a integração regional”, destacou o diretor de operações de Comércio Exterior do Ministério de Indústria e Comercio do Paraguai, Gustavo Soverina. “Chegar a uma moeda única é uma solução possível, poderíamos criar comissões de monitoramento de comércio bilateral, analisar as barreiras entre os países, para permitir um livre comércio. Isso contribuiria para a geração de empregos e comércio entre os países”, disse.
Para o presidente do Instituto Desemprego Zero e assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Carlos de Assis, é necessário um projeto de integração comum, que evite ideologias. “Temos que superar a fase estritamente política. Temos que partir do processo de integração de baixo para cima: um projeto de integração concreto, por cima de ideologias, um projeto social comum. A questão social e a integração têm que ser articuladas”, afirmou. “A questão social e da integração da América do Sul têm que se articular. O programa de emprego garantido é algo que pode ser aplicado em todo o continente e que vai possibilitar criarmos uma política social comum e auxiliar o processo de integração”, disse.
O presidente do Banco Alba - Alternativa Bolivariana para as Américas, Bernardo Alvarez, ressaltou que os governos devem partir para iniciativas concretas. “Eu sugeri ao governador Roberto Requião que se façam seminários como este com os prefeitos de vários países. Nós precisamos estar sentados com governadores que tenham também esta visão integracionista, precisamos convocar os povos, unir os movimentos sociais”, sustentou.
“Este ano deveria ser de encontros, de todos os tipos, com os movimentos sociais. Não são suficientes os encontros entre governos, porque durante esses muitos anos de transformações na América Latina aconteceram mudanças importantes na sociedade. Para se enfrentar a crise é preciso que o povo seja ativo e não ter somente a visão tecnocrática”, afirmou Alvarez.